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6 de abr de 2012

Quando me sinto vazia

Não sinto nada, não penso nada, não vejo nada. É uma merda essa sensação de vazio. Seria melhor sentir raiva ou tristeza do que não sentir nada. Isso é a mesma coisa quer ser apenas uma casca, vazia por dentro, oca, sem nada.
Nada é uma palavra bem forte. E a sensação de “nada” é como estar perdido, e não encontrar um caminho para seguir. Ou estar diante de vários caminhos e não saber qual é o certo. Se é que existe um caminho certo.
A sensação de vazio também é tudo, ao menos pra mim. É como se quisesse dizer tudo e não conseguisse dizer nada. Como se várias coisas passassem pela minha cabeça, e eu não entendesse nada.
Se eu fosse um computador, definiria melhor dizendo que eu abri tantos programas que pesou e travou. Não quer funcionar. Como reiniciar um cérebro? Como desfragmentar? Fazer limpeza de disco, restauração de sistema, backup, formatar? Ah... se eu pudesse fazer com meu cérebro essas coisas simples que eu faço com um computador... seria mais fácil. Se eu estivesse perdida e procurasse uma resposta no Google da minha cabeça economizaria tempo. Se eu pudesse apagar memórias como eu apago arquivos, se desse pra reviver os bons momentos como quando vejo um vídeo... se....... bom, não adianta pensar nos “se” porque na triste realidade as coisas não são tão fáceis assim. E nem do jeito que a gente quer. Na verdade poucas coisas são do jeito que a gente queria que fosse. Tudo é tão difícil... mas se fosse fácil não teria graça. E tudo que vem fácil, vai fácil.
Agora sobra apenas aquele vazio. De coisas que deviam ter sido valorizadas e mais aproveitadas, porém não foram. Agora, quando olho pro passado percebo que pulei várias etapas, deixei de acreditar em coisas que deviam ter sido acreditadas por mais tempo. Acreditei em coisas que nunca devia sequer ter pensado que poderia acreditar. Desisti de coisas pelas quais mais batalhava. Persisti nas coisas mais fúteis. Deixei ser influenciada pelas regras da sociedade e a contrariá-las. Permiti que outras pessoas tomassem decisões por mim. Muitas vezes agi pela emoção, muitas vezes pela razão. Não há um lado a se escolher, pelo menos não sem antes experimentar algumas coisas. Uma pessoa que nunca sofreu não pode entender a dor do outro. Uma pessoa que sempre teve tudo, não pode entender o valor da perda. Uma pessoa que nunca fez o mal e se arrependeu não entende o que é o bem. Uma pessoa que nunca fez o bem, não sabe o quão satisfatório é ver um sorriso ao invés de uma lágrima. A oposição vai existir sempre. E devemos saber equilibrar tudo isso ao invés de escolher um lado. Mas como equilibrar? Não temos uma balança que pesa essas coisas. Sim, dependemos tanto da tecnologia que a queremos para mexer com nossos sentimentos, para medir, acrescentar e retirar. Porém, não dá pra fazer isso com a tecnologia, por mais avançada que seja, ela não pode tomar decisões por nós. Temos que fazer isso sozinhos. E é sozinhos que decidimos por qual caminho seguir, e é essa solidão que machuca mais que tudo. E nos deixa assim, cada vez mais vulneráveis.

by Débora Delgado

2 comentários:

  1. bom, Débora a sensação de vazio, talvez sempre vá existir em nossos corações, mas como agente lida com ela é que nos define como pessoas. Gostei muito de seu texto, vc é foda.

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